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Fotoetnografia

Carlinhos do Supino: o campeão mundial em Vargem/SP

2016 Acervo DocumentaLab

Texto: Caio Buni - Publicado em Jornal Sintonia n09/2016

Carlos José de Oliveira disputa campeonatos de powerlifting na categoria supino há 20 anos e nos contou que já acumula mais de 300 títulos, entre eles um mundial. Em cada campeonato, um atleta pode concorrer a quatro títulos: por categoria e geral, sendo as duas últimas possibilidades de concorrer com ou sem camisa de força, assessório que colabora para alcançar melhores resultados.

O levantamento de peso básico (powerlifting em inglês) é um esporte de força com três modalidades: agachamento, supino e levantamento terra, tendo campeonatos realizados por diversas federações do Brasil e pelo mundo todo – mas só a regulamentação é feita pela International Powerlifting Federation – IPF.

Aos sete anos de idade, Calinhos começou a treinar no mundo das artes marciais, mais especificamente no judô e caratê, esporte que o fez desistir para investir nos pesos de lata para se exercitar, ainda na adolescência. Na adolescência, um amigo da escola o levou à academia onde começou a fazer suas primeiras atividades físicas. Com o tempo, adotou a prática da musculação, em paralelo ao local de treinos marciais.

Em um destes locais, ao ano de 1996, participou de seu primeiro campeonato, em Pirassununga, e desde então não parou mais.

Segundo ele, foi campeão mundial; e participou do campeonato nacional na Argentina, mas não conseguiu ir, já que era inviável financeiramente, e um brasileiro não chegou ao mundial por conta da taxa. Ainda nesse mesmo ano, participou de uma competição e venceu.

“Já perdi a conta”, comenta.

Dos inúmeros campeonatos, repete com orgulho seu de carreira por conta de um título de grande expressão mundial.

Em 2000, foi disputar o campeonato mundial, e conseguiu a categoria geral, sendo o único que representava o Brasil.

Com muito amor e mais no amor pelo esporte do que de pensar na vitória, participou da competição em um país europeu.

“Infelizmente, o meu técnico não conseguiu o visto, então eu mesmo decidi participar, sozinho. E, mesmo sozinho, consegui ganhar o mundial, sendo o primeiro brasileiro a vencer a sua categoria.”

Seguindo competindo, participou de campeonato na Argentina, mas não conseguiu ir. E, em 2010, participou de um campeonato brasileiro no bairro do Brás em São Paulo.

Cada técnica que se deve melhorar, é algo que se deve buscar e investir. “Na disputa em campeonato levantei até 210kg”, por disputa em levantamento “sem camisa, estou levantando 180kg”.

Para sustentar sua carreira, Carlinhos do Supino, como é conhecido, treina constantemente e mantém uma dieta equilibrada para estar no peso planejado para as competições. “Para o primeiro mundial, treinei 6 horas por dia. No segundo”, buscando melhorar suas técnicas, teve até treinadores chineses e russos. Atualmente disputa os nacionais, que vão até de 40 anos até 90kg, nas faixas etárias que existem nas categorias de 65, 75 e depois 82kg, passando por uma alimentação rígida e chegando a perder três quilos na véspera de um campeonato.

Trabalhando também como personal trainer, ele conta que é difícil levantar pesos na academia ou em competição, mas os amigos devem ser motivadores. “A academia é como se fosse a minha família, todos os meus amigos, incentivam e ajudam. Tenho minha esposa que me ajuda e me dá apoio, sem ela eu não estaria competindo.”

Nascido em Bragança Paulista, “há 25 anos” ainda tinha vontade de abrir uma academia em Vargem e deu certo há três anos”. Atualmente atua como personal na cidade natal e tem sua academia – Super Treino em Vargem, onde os alunos não precisam treinar musculação ou fazer o supino, mas devem participar de um showzinho. Já levou sua equipe de alunos de Vargem para competir e alguns alunos já ganharam títulos.

Tem patrocínio da 4Ever Suprimentos e do Clube de Regatas Bandeirantes de Bragança, que colaboram com as inscrições e viagens aos campeonatos. Com isso, saem para a agenda de ano em ano até as competições, sendo as próximas em Novo Horizonte, em São José do Rio de Janeiro, mundial e 3º em São José do Rio Preto este ano, além de possíveis americanos nos Estados Unidos.