Texto: Aline Badari - Publicado em Jornal Sintonia n08/2016
Quem conheceu Beatriz Gutierrez Campos, a Bia, quando pequena nunca imaginaria o caminho que a vida dela tomou, da menininha fofa que tocava piano e flauta, para seus garotos que derrubava outros muito maiores que ela.
“Não me vejo fazendo nada que não seja lutar, não quero sair mais, quero fazer carreira na luta.” — Bia
Depois de um estímulo negativo de um médico endocrinologista, que deu um parecer que ela sempre seria baixinha e gordinha por conta de um problema na glândula suprarrenal, que deveria ser tratado com corticoides que fazem o corpo inchar. Comentei que talvez a aceitação do adolescente seja um caminho para ser saudável, sem ser perturbado por refrigerantes e bolachas, e virando seu termômetro de mudanças.
Por causa dos corticoides, Bia foi procurar se exercitar, encontrando no judô seu refúgio e o gosto pela luta.
Hoje, depois de seis anos de treino está na faixa verde, apenas três abaixo da preta, que planeja conseguir aos 16 anos, idade mínima. Na modalidade, Bia compete regularmente em diversos torneios, esse ano participou da Copa São Paulo onde obteve medalha de ouro na divisão do campeonato paulista. Esse resultado serve como passaporte para o jovem de poder garantir vaga na primeira divisão no mês de agosto, no cenário brasileiro.
Já no Jiu Jitsu está na faixa amarela, e no azul, participou com 16 para conseguir a preta, é o mesmo esquema, e ambas as artes se ou outro ano esse, e em março conseguiu a medalha de prata na sua primeira disputa. Bia ainda treina capoeira e boxe. O ritmo semanal da maratonista é puxado, são quatro modalidades, três vezes por semana e ainda uma corrida aos sábados na rua da sua amiga, além do MMA.
“A vida dela é campeonato, então ela dorme cedo, se cuida. Se é o que ela gosta, então vamos, é cansativo, mas temos que apoiar.” — Mãe
Em 2015, Bia ganhou medalha em todos os campeonatos que participou, já em 2016 todos foram ouro, para isso a menina de apenas 13 anos mantém uma rotina de atleta profissional, com treinos todos os dias, descansando só de sexta, para que não ficar parada pula corda, faz abdominais e dá uns socos no saco de areia em casa.
“Não me vejo fazendo nada que não seja lutar, não quero sair mais, quero fazer carreira na luta”, afirma Bia.
O pai Pedro, o Mineiro, artesão e mãe Adriana, professora de artes, incentivam desde a infância pequena com tudo que quis se envolver. E a mãe que a leva de um lado para outro, para os treinos em Piracaia e Extrema, pois em Joanópolis não tem com quem treinar e, aos finais de semana para os torneios e campeonatos.
Sobre o empenho com a vida de atleta, diz “A vida dela é campeonato, então ela dorme cedo, se cuida. Se é o que ela gosta, então vamos, é cansativo, mas temos que apoiar”.
A vaidade do adolescente quase se deixada de lado na maior parte do tempo, nas lutas não usa maquiagem, base, ter uma cumprida ou mesmo um tam, que tem que usar bocal por causa do aparelho, mesmo o alargador tem que ser pequeno para evitar acidentes. Calos nos dedos, roxos pelo corpo, lesão no ombro, cotovelo e tornozelo são muito mais comuns.
“Quando coloco o pé no tatame esqueço tudo, só tem eu e a pessoa com quem lutar no mundo, essa é a melhor coisa.” — Bia
Essa menina tem futuro, com tamanha dedicação e paixão; poderá alçar voos muito mais altos, por áreas que nem todos foram por ela.