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Adinkra Estúdio

Acervo 22

Fotoetnografia

Seja turista da sua própria região

2016 Acervo DocumentaLab

Texto: Aline Badari

Algo que parece ser um consenso para se pensar o turismo é que: o morador local não é turista da sua própria cidade ou região. O morador não se vê como turista e os comércios e infraestrutura não pensam nele como possível usuário.

A questão é: quantos de nós conhecemos de verdade nossa cidade, além do centro urbano? Quantos já subiram na Montanha do Gigante para apreciar uma vista bela, ou tomaram um banho em uma das dezenas de cachoeiras da região? Sem contar o turismo histórico com suas casas antigas, fazendas e casarões do começo do século passado?

Ao pensar em turista, logo vem à mente o cara estressado, cansado do trânsito de São Paulo que vem para o interior para relaxar com a família, e ao chegar na cidade escolhida pergunta aleatoriamente a um morador local onde deve ir comer ou passear? E o cidadão local, que possivelmente nunca vivenciou tal experiência, não consegue dar uma informação que estimule o turista a aproveitar a viagem, para posteriormente indicar a cidade para os amigos, ou até mesmo voltar em uma outra oportunidade.

Para quem vem de fora não tem nada mais natural do que pensar que: que pode saber mais sobre como como aproveitar a cidade do que aquele que mora ali? Mas sabemos muito bem que essa não é a nossa realidade, nosso dia-a-dia não tem congestionamento, trânsito que não anda, poluição. Mas corremos para dar conta de tudo do mesmo jeito, e nem conseguimos voltar para casa para almoçar, precisamos ir de uma cidade à outra, já que nem todas conseguem suprir nossas necessidades. Também precisamos relaxar, descontrair.

Nasci e cresci em Joanópolis, e posso afirmar que não conheço praticamente nada. Fui pela primeira vez na Cachoeira dos Pretos com 12 anos, na dos Pires com uns 20 e na Pedra das Flores só no ano passado. Claro que conheço muitos outros que sempre iam acampar na montanha, ou tocar violão na rampa de Asa delta a noite, mas não acredito que isso seja tão comum.

Por mais que a cidade seja pequena, as distâncias são grandes, dependíamos de ter quem nos levasse, seja pais, irmãos mais velhos que dirigiam, ou colegas que tinham carro, mas esse não era o cenário mais comum. Ao contrário, conheço dezenas de praias do litoral paulista, porque quando pensávamos em passear era esse o destino, e era uma delicia, mas eu também queria conhecer o local onde nasci.

Temos em nossa região uma infinidade de pousadas com opções de passeios e atividades programadas para entreter quem ali se hospeda. Mas não podemos esquecer que boa parte dos turistas que aqui chegam são oriundos de um turismo espontâneo, que saíram cedo de casa para passar um dia fora, afinal, para quem mora em São Paulo e região, rodar 60, 80, 100 km, para se divertir algo super é possível.

O mesmo vale para nós, rodar um pouco para conhecer as Cachoeiras, a Igreja de Santo Antonio da Cachoeira com o teto pintado com todos os papas ou o Cruzeiro de Piracaia, não é nada. Ou então, fazer uma trilha até a Pedra do Lopo em Vargem, visitar a antiga estação de trem e ver as casas de casarões. Devemos passar em Pedra Bela, dá até para descer de tirolesa. Conhecer a Pedra Grande de Atibaia ou a Cachoeira do Barrocão de Bom Jesus dos Perdões e na saída aproveitar para apreciar um showzinho e comer um lanche no Zebra. Opções não faltam.